Muitos anos se passaram desde que eu parti, não? E, infelizmente, ainda não possuo nada de valor material. Tenho apenas as mesmas raridades lindas e caras que me entregaste quando eu era niño: nossas fotos, nossos sorrisos e nossas brigas, que me ajudaram muito a entender a vida; mas as respostas para aqueles versos que tu me deste ainda não tenho.
Quero que saibas que vivo meus dias como antes, apesar de algumas mudanças. Sigo contando estrelas, moedas, fracassos e renascimentos. Também não desisti de te reencontrar, espero que vivas no mesmo lugar. Estou a caminho.
A vida está me mudando mais rápido do que eu posso aceitar, tomara que me reconheças, ainda ando solitário, talvez isso ajude. Porém, quando eu me sinto só e duvido das poucas habilidades que tenho, relembro tua face e teus traços de paz, percebo que sonhar não é nada demais, que meus sentimentos não são meus, pois sem os teus não há nada, que acreditar é o meu dever, que conseguir o que quero é o teu querer e desistir de mim mesmo seria o mesmo que trair a nós mesmos; mentir para o teu espírito que sempre guerreou por respeito.
Agradeço-te vivamente pelos teus ensinamentos sobre coragem e paz, verdade e amor. Se não te posso dizer o que esperas ouvir, oxalá que leias tudo o que trago de ti no espelho dos meus olhos, pois, como bem sabes, eu não sei explorar as palavras com profundidade.
Não tenho o que te explicar por passar tanto tempo longe de ti, mas não estive fugindo. Eu lutava contra as minhas idiotices para agora me conhecer um pouco mais, desgraçadamente só agora – e só um pouco.
Não pretendo me estender com meus pensamentos, a caneta, o papel. Antes que minhas palavras escritas sejam desfiguradas pela minha boca ou pelo tempo, juro que nossas vidas e planos não serão em vão. Por mim e por você eu irei até o fim, meu amigo.
Julian Lawrence

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