É impressionante o tamanho do processo de imbecilização que acontece no Brasil, capitaneado principalmente pela mídia, seja ela impressa ou não. Não que isso seja algo recente, mas em meus parcos anos vividos fico espantado ao ver como tal fenômeno tem se intensificado.
Em 1991 foi exibido um documentário pela extinta TV Manchete chamado Documento Especial: A Revolução dos Idiotas, que tinha como base o pensamento de Nelson Rodrigues e trazia para a reflexão nacional o problema da formação de um país de imbecis, que aos poucos foram dominando o Brasil. Já naquela época, o jornalista Nelson Hoineff procurou mostrar como a população deste país a cada dia que passa está mais estúpida ao dar exemplos como o do “patriotismo” demonstrado pela comoção nacional devido à absolvição de um réu brasileiro acusado de graves crimes nos EUA. Parece brincadeira, mas não é, e o pior de tudo é que isso não foi um caso isolado.
Dezenove anos após a gravação do documentário citado, deparamo-nos com situação semelhante à tratada no filme, ou seja, o processo de imbecilização da população brasileira continuou. Em pleno ano eleitoral, para “simplesmente” eleger o presidente da República, os governadores estaduais, senadores e deputados, a notícia que mais chama a atenção nacional é, pasmem, O Caso do Goleiro Bruno! É impressionante o tamanho da insensatez que existe neste país ao discutir se um indivíduo extremamente insignificante matou ou não matou a menina com quem ele mantinha um affair. Isso sem mencionar a gloriosa masturbação mental da Copa do Mundo de Futebol, massificada todos os dias como se fosse o grande evento nacional e que todos devem torcer porque, afinal, isso é mostrar o orgulho de ser brasileiro.
Neste país, o debate em torno da mudança do Código Florestal brasileiro, onde mais uma vez os latifundiários fazem o que querem, fica em último plano frente aos assuntos mais importantes e que merecem total cobertura da mídia, 24h por dia, com programas e reportagens especiais unicamente para discutir o “Caso Bruno” ou o “desempenho do Brasil na Copa”.
Mas não posso ser injusto, pois é possível sim ler ou assistir algo “relevante” na mídia brasileira. Cito o exemplo da Folha de São Paulo do dia 12/07/2010, jornal de grande circulação nacional e formador de opinião. Ao abrirmos as primeiras páginas do caderno Poder, vemos duas notícias “fantásticas”, que elucidam o debate político para as eleições vindouras, quais sejam, “Serra dança forró em festas de lideranças tucanas no CE” e “Doação via internet ainda não é possível”. O que dizer sobre tamanha relevância dessas reportangens? Isso sem falar na polarização política que nos é enfiada goela abaixo, que mostra a existência aparente de apenas três candidatos ao cargo máximo da república brasileira. Dessa maneira, o que os demais concorrentes da tríade Dilma-Serra-Marina tem a pensar é ignorado e desprezado pela mídia nacional, que insiste em falar sobre democracia e liberdade.
Seria bom se o problema fosse um ou outro veículo de comunicação, mas não é. É difícil para um ser humano com pelo menos dois neurônios ligar a televisão ou abrir um jornal neste país e não se espantar com isso tudo. E o pior de tudo é que não vejo uma pessoa sequer erguer a voz contra essa situação!
Sendo assim, vivemos em uma sociedade “mais burra do que um pernilongo cego” como diria um amigo meu. As pessoas preferem saber sobre o estado de saúde do goleiro que supostamente matou fulaninha, quem será o novo técnico da seleção brasileira e quando resolvem se preocupar com assuntos mais sérios, é a fofoquinha partidária ou a demagogia política que ganha vez. Não culpo apenas a mídia, mas também as pessoas que aceitam tal situação, isto é, o brasileiro patriota de copa do mundo. Lamentável.
Leonardo Segura

E isso ai mesmo. O Brasil SEMPRE sera o pais do futuro. Com o potencial que tem, e um pais muito promissor. Logico. E incrivel mesmo. Um pais com tanta riqueza ser banhado por ignorancia. Interessante, acho eu, ver milhoes de brasileiros abaixo da linha de pobreza chorarem, porque 22 milionarios nao colocaram a bola dentro de uma coisa chamada gol. Tenho que dizer, entretanto, que isso ocorre fora daqui tambem. Copa de 1998: Franca tinha altas taxas de desemprego. O fato de o pais ter vencido o “maior evento mundial segundo a globo” ajudou, logicamente, o governo frances. Inglaterra e Alemanha tambem sao, por exemplo, paises fanaticos por futebol. Isso implica PANIS ET CIRCENSIS. Saiu uma reportagem na SUPERINTERESSANTE: “a copa te deixa mais feliz… e mais pobre tambem”. Certo que, para classe media, gastar parte do salario com vuvuzelas e o churrasquinho pode tirar apenas um pouco do bolso, apesar de essa classe apenas se ferrar no BraZil. Fico atonito mesmo com as pessoas que tem que deixar de comprar o feijao para pintar a rua de verde e amarelo. Esporte e algo saudavel e acho a pratica necessaria a qualquer um. A copa do mundo, e bem verdade, nao mede IDH de pais algum. As olimpiadas sim, evento que agrega todos os esportes, mostra quanto um pais investe. O pior e que o Brasil adora vender o esteriotipo de samba, futebol e carnaval. Tudo brasileiro que vai ao exterior tem que ter algum traco nativo. Por que nao tentar mandar algo que englobe um tema universal por exemplo? Espantam-se la fora (passei por isso) quando voce diz que vem do BRAZIL e que nao venera samba, carnaval. TAMPOUCO FUTEBOL. Quando digo o porque, perguntam se realmente vem do BRAZIL.
acho que aqui tem muitas coisas legais com que se trabalhar, muitos lugares lindos para serem vistos por exemplo, mas um pais que ja teve ate parlamentarismo as avessas… tem que tentar melhorar o pais onde se vive, mesmo sem acreditar que ele melhore um dia. Apesar de tudo, creio nisso.
Otimo texto, Leonardo
Leo,
Você precisa assitir ao “Grupo Baader Meinhof”.
O filme foi realizado para mostrar para as novas gerações o comportamento da juventude pós-segunda guerra.
Vale a pena.
Forte abraço,
Paulinho
Olá Paulinho,
Obrigado pelo comentário em meu texto e pela dica. De fato, esse filme sobre o grupo alemão Baader-Meinhof é muito interessante. Além desse, recomendo também um do diretor alemão Rainer Fassbinder chamado em português de “A Terceira Geração” (Die Dritte Generation, em alemão). Nele, o diretor faz uma crítica ao próprio comportamento da juventude do pós-segunda guerra. Vale a pena
Abraços,
Leo.