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	<title>Litterata</title>
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	<description>Crítica literária</description>
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		<title>Litterata</title>
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		<title>Ensaios Céticos (Bertrand Russell)</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 18:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bertrand Russell]]></category>

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		<description><![CDATA[Título: Ensaios Céticos Autor: Bertrand Russell Ano: 2008 Editora: L&#38;PM Pocket Bertrand Russell é considerado por muitos como um dos mais importantes pensadores que viveram no século XX, tendo forte destaque dentre suas idéias questões envolvendo a racionalidade e o ceticismo como bases de todo seu pensamento. Em Ensaios Céticos, temos uma coletânea de textos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=178&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://litterata.files.wordpress.com/2010/10/russell_ensaios_cticos.jpg"><img style="display:inline;margin-left:0;margin-right:0;border-width:0;" title="russell_ensaios_céticos" src="http://litterata.files.wordpress.com/2010/10/russell_ensaios_cticos_thumb.jpg?w=143&#038;h=240" border="0" alt="russell_ensaios_céticos" width="143" height="240" align="left" /></a></p>
<h1><strong><span style="font-family:Calibri;color:#ffffff;font-size:medium;">Título: Ensaios Céticos</span></strong></h1>
<h1><strong><span style="font-family:Calibri;color:#ffffff;font-size:medium;">Autor: Bertrand Russell</span></strong></h1>
<h1><strong><span style="font-family:Calibri;color:#ffffff;font-size:medium;">Ano: 2008</span></strong></h1>
<h1><strong><span style="font-family:Calibri;color:#ffffff;font-size:medium;">Editora: L&amp;PM Pocket</span></strong></h1>
<p><span style="color:#ffffff;">Bertrand Russell é considerado por muitos como um dos mais importantes pensadores que viveram no século XX, tendo forte destaque dentre suas idéias questões envolvendo a racionalidade e o ceticismo como bases de todo seu pensamento.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Em Ensaios Céticos, temos uma coletânea de textos de Russell, onde percebemos essas características de seu pensamento de uma maneira marcante. Primeiramente, ele nos apresenta de maneira introdutória o valor do ceticismo como forma de tornar a existência social muito melhor, ao contrário do que muita gente pensa. Aqui temos uma característica fundamental de seu pensamento, que irá se perpetuar ao longo de toda a obra: a racionalidade, obtida por meio do ceticismo, pode ser um valor que revolucionará a vida humana.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Em segundo lugar, Russell argumenta que a liberdade se encontra ameaçada por elementos que cerceiam o livre-pensamento humano, notadamente o dogmatismo, que se mostra presente em nossa sociedade nas mais diversas maneiras. Essa falta de ceticismo tanto em questões políticas quanto religiosas é, segundo Russell, a causa da maioria dos males do mundo moderno, pois a própria estrutura mental na qual os seres humanos são formados condena aqueles que buscam o questionamento sobre verdades já estabelecidas.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Um livre-pensador é, segundo o filósofo inglês, aquele que rejeita a ortodoxia herdada desde seu nascimento. Nesse sentido, Russell atribui às religiões um papel negativo sobre a humanidade, pois essas são, por essência, instituições fundamentadas sobre dogmas, isto é, “verdades” inquestionáveis. Em suas próprias palavras (p. 138),</span></p>
<blockquote><p><span style="color:#ffffff;">Por conseguinte, o pensamento é “livre” quando ele está liberto de determinados tipos de controle externo que estão com freqüência presentes.</span></p></blockquote>
<p><span style="color:#ffffff;">É possível suspeitar de certa ingenuidade numa afirmação dessas, pois o ser humano é influenciado por todos os lados e até a neutralidade científica pode ser posta em xeque se forem levados em consideração os interesses por trás de uma constatação empírica. Porém, a observação de Russell vai mais a fundo no sentido de mostrar que não são apenas os mecanismos de validação empírica os potencializadores do livre-pensamento, mas sim, e fundamentalmente, a capacidade assegurada do ser humano de poder questionar tudo o que lhe é passado como verdade.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Ensaios Céticos é um livro que traz uma discussão muito atual e na maioria das vezes renegada ou esquecida, qual seja, a de que a formação de um ser humano crítico, isto é, dotado de uma estrutura mental cética sobre todos os aspectos, é condicionada por interesses político-econômicos e por um autoritarismo tacanho. Esses elementos de perigo ao livre-pensamento, quando inseridos na sociedade, trazem consigo a maior parte das desgraças do mundo moderno.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Leonardo Segura</strong></span></p>
<br />Filed under: <a href='http://litterata.wordpress.com/category/bertrand-russell/'>Bertrand Russell</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/178/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=178&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Opinião: O triste fim do país do futuro (Leonardo Segura)</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 00:49:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leonardo Segura]]></category>

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		<description><![CDATA[É impressionante o tamanho do processo de imbecilização que acontece no Brasil, capitaneado principalmente pela mídia, seja ela impressa ou não. Não que isso seja algo recente, mas em meus parcos anos vividos fico espantado ao ver como tal fenômeno tem se intensificado. Em 1991 foi exibido um documentário pela extinta TV Manchete chamado Documento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=148&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://litterata.files.wordpress.com/2010/07/brasil-8148.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-153" title="brasil-8148" src="http://litterata.files.wordpress.com/2010/07/brasil-8148.jpg?w=300&#038;h=201" alt="" width="300" height="201" /></a>É impressionante o tamanho do processo de imbecilização que acontece no Brasil, capitaneado principalmente pela mídia, seja ela impressa ou não. Não que isso seja algo recente, mas em meus parcos anos vividos fico espantado ao ver como tal fenômeno tem se intensificado.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 1991 foi exibido um documentário pela extinta TV Manchete chamado <em>Documento Especial: A Revolução dos Idiotas</em>, que tinha como base o pensamento de Nelson Rodrigues e trazia para a reflexão nacional o problema da formação de um país de imbecis, que aos poucos foram dominando o Brasil. Já naquela época, o jornalista Nelson Hoineff procurou mostrar como a população deste país a cada dia que passa está mais estúpida ao dar exemplos como o do &#8220;patriotismo&#8221; demonstrado pela comoção nacional devido à absolvição de um réu brasileiro acusado de graves crimes nos EUA. Parece brincadeira, mas não é, e o pior de tudo é que isso não foi um caso isolado.</p>
<p style="text-align:justify;">Dezenove anos após a gravação do documentário citado, deparamo-nos com situação semelhante à tratada no filme, ou seja, o processo de imbecilização da população brasileira continuou. Em pleno ano eleitoral, para &#8220;simplesmente&#8221; eleger o presidente da República, os governadores estaduais, senadores e deputados, a notícia que mais chama a atenção nacional é, pasmem, <em>O Caso do Goleiro Bruno</em>! É impressionante o tamanho da insensatez que existe neste país ao discutir se um indivíduo extremamente insignificante matou ou não matou a menina com quem ele mantinha um affair. Isso sem mencionar a gloriosa masturbação mental da Copa do Mundo de Futebol,  massificada todos os dias como se fosse o grande evento nacional e que todos devem torcer porque, afinal, isso é mostrar o orgulho de ser brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste país, o debate em torno da mudança do Código Florestal brasileiro, onde mais uma vez os latifundiários fazem o que querem, fica em último plano frente aos assuntos mais importantes e que merecem total cobertura da mídia, 24h por dia, com programas e reportagens especiais unicamente para discutir o <em>&#8220;</em>Caso Bruno&#8221; ou o &#8220;desempenho do Brasil na Copa&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não posso ser injusto, pois é possível sim ler ou assistir algo &#8220;relevante&#8221; na mídia brasileira. Cito o exemplo da Folha de São Paulo do dia 12/07/2010, jornal de grande circulação nacional e formador de opinião. Ao abrirmos as primeiras páginas do caderno Poder, vemos duas notícias &#8220;fantásticas&#8221;, que elucidam o debate político para as eleições vindouras, quais sejam, &#8220;Serra dança forró em festas de lideranças tucanas no CE&#8221; e &#8220;Doação via internet ainda não é possível&#8221;. O que dizer sobre tamanha relevância dessas reportangens? Isso sem falar na polarização política que nos é enfiada goela abaixo, que mostra a existência aparente de apenas três candidatos ao cargo máximo da república brasileira. Dessa maneira, o que os demais concorrentes da tríade Dilma-Serra-Marina tem a pensar é ignorado e desprezado pela mídia nacional, que insiste em falar sobre democracia e liberdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Seria bom se o problema fosse um ou outro veículo de comunicação, mas não é. É difícil para um ser humano com pelo menos dois neurônios ligar a televisão ou abrir um jornal neste país e não se espantar com isso tudo. E o pior de tudo é que não vejo uma pessoa sequer erguer a voz contra essa situação!</p>
<p style="text-align:justify;">Sendo assim, vivemos em uma sociedade “mais burra do que um pernilongo cego” como diria um amigo meu. As pessoas preferem saber sobre o estado de saúde do goleiro que supostamente matou fulaninha, quem será o novo técnico da seleção brasileira e quando resolvem se preocupar com assuntos mais sérios, é a fofoquinha partidária ou a demagogia política que ganha vez. Não culpo apenas a mídia, mas também as pessoas que aceitam tal situação, isto é, o brasileiro patriota de copa do mundo. Lamentável.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Leonardo Segura</strong></p>
<br />Filed under: <a href='http://litterata.wordpress.com/category/leonardo-segura/'>Leonardo Segura</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/148/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=148&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A mulher no metrô da Luz (Luna Lobão)</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 02:43:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Luna Lobão]]></category>

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		<description><![CDATA[- Cá entre nós, você já sabia, não? Ele parou de andar. Virou-se para ela, ainda sem acreditar no que havia escutado. Olhou-a ali, sentada absurdamente confortável para um momento daqueles. O rabo de cavalo de sempre, a blusa em tons vermelhos, jeans. Ali estava ela, calma e sincera. Era isso que o havia encantado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=143&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">- Cá entre nós, v<a href="http://litterata.files.wordpress.com/2010/05/mulher-metro.jpg"><img class="size-medium wp-image-144 alignleft" title="mulher metro" src="http://litterata.files.wordpress.com/2010/05/mulher-metro.jpg?w=211&#038;h=281" alt="" width="211" height="281" /></a>ocê já sabia, não?</p>
<p style="text-align:justify;">Ele parou de andar. Virou-se para ela, ainda sem acreditar no que havia escutado. Olhou-a ali, sentada absurdamente confortável para um momento daqueles. O rabo de cavalo de sempre, a blusa em tons vermelhos, jeans. Ali estava ela, calma e sincera. Era isso que o havia encantado desde o primeiro instante, essa facilidade de dizer o que pensa, sem se importar. Sem se importar demais. Ela nunca se importou: “Tudo nessa vida passa”. Frase ridícula. Algumas coisas não passam. É assim, algumas coisas na vida entram, e se fixam em algum lugar de nós e simplesmente não passam. Mas nela não; tudo acabava, com a mesma facilidade que um dia começou.<br />
Ela suspirou pelo silêncio, pegou a bolsa no chão e procurou rapidamente algo. Tirou a caixa de metal de cigarrilhas, um isqueiro prata que ele havia dado de aniversário. Acendeu, tragou, soltou e olhou de perto para a ponta da cigarrilha.<br />
- Essa é a melhor de todas. Sente só esse cheiro&#8230;<br />
Era mesmo inacreditável. A facilidade com que ela levava a vida, a simplicidade dos fatos. Ele sabia décor o discurso, que a de baunilha era enjoativa, que a tradicional era muito masculina, mas que a de café, era fantástica. Quantas e quantas horas passaram fumando juntos, na varanda, fim de tarde de quinta feira, quando nenhum dos dois trabalhava depois das sete. Falavam sobre nada. Sobre os sonhos, sobre a conta de luz alta, sobre uma possível ida a praia no feriado. E ela sempre começava o diálogo com o discurso da cigarrilha.<br />
Sem tirar os olhos dela, ele resolveu sentar na poltrona da frente. Ficaram em silêncio até ela terminar de fumar. Ela o olhou sem muito interesse, levantou e foi até a cozinha. Voltou com dois pratos, cada um com uma fatia de pão de forma, sem as cascas, um patê de atum mal colocado e um café requentado. Ela nunca se dava ao trabalho de fazer café. Se ele não fizesse logo pela manha, ela tomava do dia anterior, reclamava, fazia cara feia, e ia para o trabalho como se, por acaso, tivesse perdido um botão.<br />
- Custa muito para você fazer o café um dia? Hein?<br />
- Oras, mas eu não me importo de tomar requentado&#8230;<br />
-Como não? Sempre reclama, faz cara feia&#8230; Você é assim&#8230; Você reclama e não faz anda para mudar. Com essa sua mania de achar que ninguém é importante além de você. Já parou para pensar que talvez eu me importe de tomar requentado?<br />
- Então, faça você mesmo o café. Que coisa, você complica tudo&#8230;<br />
- Não. Chama-se gentileza; morar com alguém, agradar ao outro. Não é complicado, é um café!<br />
Já tinha açúcar e já estava mexido, e ela entregou a xícara como se aquilo fosse mais do que o necessário. Sentou-se novamente, bebeu com barulho e comeu a fatia deixando os cantos da boca sujos. Ele a olhou com nojo, sem demonstrá-lo. Tanta coisa nela o irritava há tanto tempo, e ainda assim não podia deixá-la ir. Não queria. Bebia um vinho, lia um livro, ouvia música para não escutar a cantoria durante o banho. Contratou uma faxineira, para não brigar mais pelo lixo. Olhou-a ali, toda suja, cheirando a cigarro, com aquela arrogância típica, aquela independência que magoa, e sentiu até raiva dela. Do desleixo dela. Raiva do pensamento de que ele passaria logo, como tudo na vida. Raiva por saber que ele havia realmente passado.<br />
- Bem, estava bom. A maionese era velha, tava no fim, mas&#8230; Comível, eu diria.<br />
Limpou com a mão a boca e o olhou. Foi um olhar rápido, daqueles que precisa se mostrar como despreocupado. Viu-o ali, o fundo verde da parede o deixando mais magro, mais parado, mais dependente. Sentiu uma certeza da decisão, certeza dos seus atos e pensou o que sempre pensava nessas horas “Tudo nessa vida passa”. Levantou-se resolvida, pegou as duas mochilas, avisou que Pedro voltaria para levar as caixas, mas que não se preocupasse, viria quando ele não estivesse em casa, assim não haveria constrangimentos. Sempre direta, sem enrolação, sem se preocupar em ser gentil. Destrancou a porta e se virou para vê-lo, para confirmar mais uma vez seus passos:<br />
- Eu prefiro as de baunilha. Deixam o ar mais doce. Não sei, é como se a vida tivesse algo mais para nos dar.<br />
Ele falou calmamente, como se não a quisesse magoar; continuou sentado, a porta se fechou e, depois de um gole de café frio, ele suspirou e finalmente sorriu. No metrô que vai para Luz, ela chorou desesperadamente, molhando o vermelho e fazendo barulho. O rapaz a olhou, seco, e preferiu ir de pé, a sentar-se ao seu lado.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Luna Lobão</strong></p>
<br />Filed under: <a href='http://litterata.wordpress.com/category/luna-lobao/'>Luna Lobão</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/143/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=143&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carta: As palavras, tudo o que n&#227;o sei dizer (Julian Lawrence)</title>
		<link>http://litterata.wordpress.com/2010/05/04/carta-as-palavras-tudo-o-que-no-sei-dizer-julian-lawrence/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 15:48:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Julian Lawrence]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos anos se passaram desde que eu parti, não? E, infelizmente, ainda não possuo nada de valor material. Tenho apenas as mesmas raridades lindas e caras que me entregaste quando eu era niño: nossas fotos, nossos sorrisos e nossas brigas, que me ajudaram muito a entender a vida; mas as respostas para aqueles versos que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=132&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://litterata.files.wordpress.com/2010/05/amistad.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:inline;margin-left:0;border-top:0;margin-right:0;border-right:0;" title="amistad" border="0" alt="amistad" align="left" src="http://litterata.files.wordpress.com/2010/05/amistad_thumb.jpg?w=254&#038;h=207" width="254" height="207" /></a> Muitos anos se passaram desde que eu parti, não? E, infelizmente, ainda não possuo nada de valor material. Tenho apenas as mesmas raridades lindas e caras que me entregaste quando eu era <i>niño</i>: nossas fotos, nossos sorrisos e nossas brigas, que me ajudaram muito a entender a vida; mas as respostas para aqueles versos que tu me deste ainda não tenho. </p>
<p>Quero que saibas que vivo meus dias como antes, apesar de algumas mudanças. Sigo contando estrelas, moedas, fracassos e renascimentos. Também não desisti de te reencontrar, espero que vivas no mesmo lugar. Estou a caminho.</p>
<p>A vida está me mudando mais rápido do que eu posso aceitar, tomara que me reconheças, ainda ando solitário, talvez isso ajude. Porém, quando eu me sinto só e duvido das poucas habilidades que tenho, relembro tua face e teus traços de paz, percebo que sonhar não é nada demais, que meus sentimentos não são meus, pois sem os teus não há nada, que acreditar é o meu dever, que conseguir o que quero é o teu querer e desistir de mim mesmo seria o mesmo que trair a nós mesmos; mentir para o teu espírito que sempre guerreou por respeito.</p>
<p>Agradeço-te vivamente pelos teus ensinamentos sobre coragem e paz, verdade e amor. Se não te posso dizer o que esperas ouvir, oxalá que leias tudo o que trago de ti no espelho dos meus olhos, pois, como bem sabes, eu não sei explorar as palavras com profundidade.</p>
<p>Não tenho o que te explicar por passar tanto tempo longe de ti, mas não estive fugindo. Eu lutava contra as minhas idiotices para agora me conhecer um pouco mais, desgraçadamente só agora &#8211; e só um pouco. </p>
<p>Não pretendo me estender com meus pensamentos, a caneta, o papel. Antes que minhas palavras escritas sejam desfiguradas pela minha boca ou pelo tempo, juro que nossas vidas e planos não serão em vão. Por mim e por você eu irei até o fim, meu amigo. </p>
<p align="right"><b>Julian Lawrence</b></p>
<br />Filed under: <a href='http://litterata.wordpress.com/category/julian-lawrence/'>Julian Lawrence</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/132/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=132&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Estrangeiro (Albert Camus)</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 02:26:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Albert Camus]]></category>

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		<description><![CDATA[Título: O Estrangeiro Autor: Albert Camus Ano: 2005 Editora: Record O Estrangeiro, publicado em 1942, pode ser visto como uma obra que se insere no contexto do pensamento existencialista da primeira metade do século XX. Sua história resume a vida de um homem comum (Meursault), cercado por pessoas comuns e que levam uma vida comum. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=123&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><strong><a href="http://litterata.files.wordpress.com/2010/05/oestrangeiro1.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:inline;margin-left:0;border-top:0;margin-right:0;border-right:0;" title="o-estrangeiro" border="0" alt="o-estrangeiro" align="left" src="http://litterata.files.wordpress.com/2010/05/oestrangeiro_thumb1.jpg?w=177&#038;h=244" width="177" height="244" /></a></strong></strong></p>
<h6><font size="5" face="Calibri"><strong></strong></font></h6>
<h4><font size="5" face="Calibri"><strong></strong></font></h4>
<h1><font size="4" face="Calibri"><strong>Título: O Estrangeiro</strong></font></h1>
<h1><font size="4" face="Calibri"><strong>Autor: Albert Camus</strong></font></h1>
<h1><font size="4" face="Calibri"><strong>Ano: 2005</strong></font></h1>
<h1><font size="4" face="Calibri"><strong>Editora: Record</strong></font></h1>
<h5><strong><font size="2"></font></strong></h5>
<h6><strong><font size="2"></font></strong></h6>
<h6><strong><font size="2"></font></strong></h6>
<p><em>O Estrangeiro</em>, publicado em 1942, pode ser visto como uma obra que se insere no contexto do pensamento existencialista da primeira metade do século XX. Sua história resume a vida de um homem comum (Meursault), cercado por pessoas comuns e que levam uma vida comum. Nesse sentido, a indiferença com que Meursault encara a vida e os eventos que lhe acontecem, caracterizam o chamado absurdismo, que pode ser visto como a constatação de que não há sentido na vida e que todas as explicações já experimentadas pelo homem (religiões, misticismo, nacionalismo, etc.) não significam nada.</p>
<p>Sua narrativa começa com o personagem principal, Meursault, recebendo um telegrama do asilo onde sua mãe se encontrava dizendo que ela havia morrido, constituindo-se, assim, na primeira parte do livro. A notícia não o abala e, na verdade, nada significa para ele. Após o enterro, Meursault continua sua vida com a mesma indiferença de antes, sem demonstrar emoções ou emitir opiniões a respeito do que o cerca. Essa apatia se reflete claramente em seu relacionamento com Marie e na amizade mantida com Raymond, seu vizinho.</p>
<p>A própria construção da narrativa em períodos curtos contribui para evidenciar o sentimento de indiferença transmitido por Meursault, pois todos os acontecimentos por ele vivenciados são mostrados de maneira meramente descritiva, sem apelo sentimental, como por exemplo logo no início do livro:</p>
<blockquote><p>Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: &quot;Sua mãe faleceu: Enterro amanhã. Sentidos pêsames&quot;. Isto não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem.</p>
</blockquote>
<p><font color="#ffffff">A segunda parte do livro narra os acontecimentos após o incidente que coloca Meursault na prisão, sendo que isto traz, em um primeiro momento, certa carga de nostalgia, seja em relação ao seu relacionamento com Marie, seja em relação a um passado mais remoto. Porém, tais lembranças trazem consigo a seguinte pergunta: vale a pena perder tempo com tais coisas?</font></p>
<p><font color="#ffffff">Na verdade, os sentimentos nostálgicos vivenciados por Meursault servem apenas ao intuito de fazer com que o tempo passe. Sendo assim, o próprio personagem admite que uma pessoa que tivesse vivido apenas um dia, poderia passar até cem anos na prisão, dada a grande quantidade de detalhes que nos passam desapercebida ao longo do dia e que só iremos dar conta em uma situação de cárcere.</font></p>
<p><font color="#ffffff">Quando comparece ao seu julgamento, Meursault mantém sua indiferença, irritando-se tanto com seu advogado de defesa, quanto com a promotoria. Nesse ponto, cabe uma observação: a insistência do promotor em apontar a frieza que Meursault demonstra ao se deparar com a morte de sua mãe, como evidência de sua monstruosidade, que culminou com o assassinato sem motivo de um árabe. Dessa maneira, percebe-se o estranhamento entre duas visões de mundo, onde o promotor representa os valores de mundo sob a égide da moral cristã, e Meaursault, que ignora seu oponente e nada tem a dizer ou a pensar a respeito, chocando a sociedade que vive.</font></p>
<p><font color="#ffffff">Que importa a morte dos outros, as relações de parentesco e as vontades de um deus? Nada, pois os significados que os seres humanos dão a estas coisas com o intuito de justificar a existência são inúteis, visto que a própria existência, no que diz respeito ao indivíduo, não possui sentido algum. Portanto, o personagem criado por Camus não se traduz no que o promotor procurava acusá-lo, um monstro, mas sim em uma pessoa que vive indiferente aos valores de sua sociedade.</font></p>
</p>
</p>
<p align="right"><strong>Leonardo Segura</strong></p>
<br />Filed under: <a href='http://litterata.wordpress.com/category/albert-camus/'>Albert Camus</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/123/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/123/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=123&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Desejos e Planos Falecem (Julian Lawrence)</title>
		<link>http://litterata.wordpress.com/2009/09/08/desejos-e-planos-falecem-julian-lawrence/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 01:01:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Julian Lawrence]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma noite quente, uma dessas de agosto, e eu não dormi bem. Foi um olho fechado e outro aberto. Passei em claro uma noite escura planejando minhas palavras para ela. Dormi fora de casa, no telhado. Eu gostava disso, ia para lá quando me sentia insignificante e o vento fresco me consolava. Mas, naquela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=89&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-96" title="the_outsider_estrangeira_grupo_social" src="http://litterata.files.wordpress.com/2009/09/the_outsider_estrangeira_grupo_social.jpg?w=201&#038;h=300" alt="the_outsider_estrangeira_grupo_social" width="201" height="300" />Era uma noite quente, uma dessas de agosto, e eu não dormi bem. Foi um olho fechado e outro aberto. Passei em claro uma noite escura planejando minhas palavras para ela. Dormi fora de casa, no telhado. Eu gostava disso, ia para lá quando me sentia insignificante e o vento fresco me consolava. Mas, naquela noite, eu estava mesmo era aflito pela chegada manhã.</p>
<p>De madrugada a chuva saltou do céu. Eu podia ver, do telhado, as gotas d’água caindo lentamente. Elas molhavam meu corpo com cuidado e eu me sentia o máximo por tomar banho de chuva. Ela, Vitória, também adorava. Faltava pouco para que eu me reencontrasse com ela, mas meus planos&#8230;</p>
<p>A chuva, que já era forte, cessou minutos antes para o dia raiar. Por entre as nuvens passaram alguns raios do sol, porém, o tempo, naquele dia, permaneceu nublado até se escurecer por completo.</p>
<p>Às sete horas eu desci do telhado e entrei no banheiro. Sequei-me. Coloquei as roupas que tinha separado e me lancei à rua apressado; ela tinha por costume chegar cedo ao colégio e eu não queria me atrasar. Pena que saí tão rápido de casa que me esqueci de calçar o par de sapatos que tinha conseguido emprestado. Esquecer-me dos sapatos, isso prova quem sou – falava comigo.</p>
<p>Próximo a entrada do colégio eu me escondi, queria vê-la sem ser visto. Todos os colegiais usavam seus sapatos pretos, mas a julgar pelo olhar, eles pareciam estar inteiramente vestidos de preto.</p>
<p>Os meninos e as meninas estavam sentados, frente à instituição de ensino, nos banquinhos de cimento, apoiados uns nos outros, desolados. Os mestres cancelaram as aulas e se iam, um a um, arrastando os pés e os olhos no chão. Eles fitavam as ruas de terra e desapareciam pelas esquinas, afundando os pés na lama – naquele tempo todas as ruas eram de terra, agora só algumas. Mas não me importava se eles estavam felizes ou não. Eu procurava por Vitória e era só isso.</p>
<p>Eu caminhava por entre os colegiais e eles, tristes, nem percebiam que eu estava descalço. Seria vergonhoso para mim se eles me percebessem assim. Ainda havia os polícias e suas viaturas em torno do colégio, mas tão sérios e concentrados nem notaram a ausência dos meus sapatos. Usá-los era fazer parte da sociedade, e as cores deles representavam a sua classe social, como na Roma Antiga.</p>
<p>Enfim, continuei minha busca. Como disse, ninguém me percebia. E logo que avistei uns belos cabelos loiros, corri na direção deles, mas aqueles fios não eram os dela.</p>
<p>Segui procurando por Vitória. Atravessei a tristeza dos colegiais. Passei em silêncio pelos concentrados polícias. Empurrei o portão de entrada do colégio e pisei com os dois pés em um rastro de sangue.</p>
<p>Não tive medo, mas entrei sufocado. Coração apertado. Eu me apoiava nas paredes e seguia as manchas vermelho-fumegantes que terminavam à porta do banheiro feminino. Lá me encostei ao lado da porta e tentei ouvir alguém. Ninguém falava. Tentei abri-la. Trancada. Dei um chute nela. Abriu. Quando entrava no banheiro, tocaram-me no ombro e arrastaram-me para fora. Eram os polícias que precisavam isolar o local.</p>
<p>Afora do colégio ninguém mais se lamentava. Vitória foi levada para o hospital, mas o criminoso ainda não foi capturado, diziam os polícias.</p>
<p>Eu fiquei confuso. Vitória? A minha? Corri para a casa dela. Tudo fechado. Entrei pelos fundos. O pai e mãe choravam. Meu coração apertava pouco a pouco um pouco mais. Fiquei escondido para ouvir o que os velhos diziam. Só gemiam. Então me revelei. Os dois se assustaram. A mãe me atacou, o pai correu. Escapei de dois golpes de vassoura, três copos de vidro que explodiram na parede, levei uma panelada na cara, caí. Os velhos me levaram a um quarto, amarram-me na cama e taparam-me a boca com um pano. Talvez acreditassem que fosse eu o estuprador da filha que estava fugido e voltara para destruir de vez a família – afinal, eu estava descalço – ou, talvez, apenas precisassem fazer alguém sofrer o que eles sofriam enquanto a filha se recuperava do seu sofrimento no hospital. Eu, quem queria apenas saber o que havia acontecido à garota, quem só queria dizer o que sentia por ela, morri.</p>
<p>O velho fechou as janelas dos fundos, ligou o rádio, aumentou o volume do aparelho e fechou a porta do quarto. Ele gritava e, ao mesmo tempo, tentava abafar os gritos. A velha sentou-se ao meu lado na cama, disse que meus olhos eram bonitos, beijou-me na testa e fez uma oração. As lágrimas dela molhavam meu rosto enquanto ela me asfixiava. Ela apertava minha boca e meu nariz com muita força. Ódio quente pingava dos olhos dela e desejo de amor falecia no meu peito.</p>
<p>Os olhos de Vitória aprisionam tudo o que sinto, eu queria ter dito isso a ela. Mas a gente vai guardando as coisas, esperando o dia certo e de repente tudo acaba. É a derrota que a gente encontra.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>Julian Lawrence</strong></p>
<br />Publicado em Julian Lawrence  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/89/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=89&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Neve (Orhan Pamuk)</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 19:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Litterata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Orhan Pamuk]]></category>

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		<description><![CDATA[Título: Neve Autor: Orhan Pamuk Ano: 2006 Editora: Companhia das Letras Neve tem como personagem principal o poeta turco Ka, que se radicou na Alemanha devido a problemas políticos de sua juventude em Istambul, mas volta à sua terra natal para o enterro de sua mãe, recentemente falecida, e com o intuito de escrever uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=29&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align:justify;"><img class="size-medium wp-image-35 alignleft" title="neve_capa" src="http://litterata.files.wordpress.com/2009/08/neve_capa4.jpg?w=216&#038;h=300" alt="neve_capa" width="216" height="300" /><span style="color:#ffffff;"><strong>Título:</strong> Neve<br />
<strong>Autor:</strong> Orhan Pamuk<br />
<strong>Ano:</strong> 2006<br />
<strong>Editora:</strong> Companhia das Letras</span></h4>
<p><em>Neve</em> tem como personagem principal o poeta turco Ka, que se radicou na Alemanha devido a problemas políticos de sua juventude em Istambul, mas volta à sua terra natal para o enterro de sua mãe, recentemente falecida, e com o intuito de escrever uma matéria para um jornal alemão sobre as eleições municipais da pequena cidade fronteiriça de Kars e investigar o curioso caso das jovens que vem cometendo suicídio em nome do islã.</p>
<p>O motivo declarado para o suicídio das jovens é devido à proibição do uso do véu nas instituições educacionais, mas no decorrer de sua estadia em Kars, nosso poeta irá perceber que existe muito mais por trás de uma simples questão religiosa. O véu representa uma espécie de símbolo do islã político na luta contra os secularistas turcos, representados pelo governo, deflagrando o intenso conflito em um país dividido por uma parte que almeja uma maior ocidentalização da Turquia e outra que tem aversão à ética ocidental e reforça as tradições islâmicas.</p>
<p>Os secularistas são identificados com os ideais do líder fundador da República Turca Kemal Atatürk, um admirador do iluminismo europeu, que teve por objetivo principal a construção de um estado laico e nos moldes políticos do ocidente. O outro lado tem como principal representante no livro o rebelde conhecido como Azul, um personagem fictício, mas que parece representar bem a idealização ocidental de um rebelde islâmico.</p>
<p>A questão das jovens suicidas será uma peça chave no decorrer da obra, pois suscita discussões envolvendo o conflito cultural entre o “ocidente” e o “oriente”, religião, política, etc.</p>
<p>De fato, a Turquia é um país exemplo disso, visto que uma pequena parte de seu território está geograficamente no lado europeu e absorve muito mais diretamente o modo de pensar ocidental, batendo de frente com a tradição cultural islâmica e a respectiva ética de toda a Anatólia.</p>
<p>Acredito que este aspecto do livro seja uma de suas principais virtudes, pois nós ocidentais estamos muito acostumados a julgar culturas diferentes da nossa sempre à nossa maneira. Em uma das mais belas frases do livro, o personagem Fazil, jovem estudante que faz amizade com Ka e é visto como um defensor das tradições islâmicas, faz uma verdadeira síntese de tudo isso, pois, segundo ele, “ninguém poderia nos entender de tão longe”.</p>
<p>Apenas três dias, mas que parecera uma eternidade, segundo o próprio poeta, foi o tempo que ele passou em Kars. Nesse meio tempo, ele se apaixonou perdidamente por Ipek, uma antiga colega de classe, e presenciou um violento golpe militar arquitetado por um visionário ator de teatro, que se aproveitou do fechamento das estradas da cidade devido o rigor do inverno. No decorrer desses eventos, Ka se vê como uma peça chave no desenrolar dos acontecimentos da cidade, sempre tentando sobreviver às acusações de ser ateu com a idéia de realizar seu amor por Ipek e ir com ela para a Alemanha. Além disso, Ka voltou a escrever poemas, coisa que há muito ele não conseguia fazer, mas em Kars sua inspiração voltou com muita intensidade.</p>
<p>Ao escrever seus novos poemas, Ka ficou convencido de que as pessoas se assemelham a um floco de neve, pois, a priori, todos parecem iguais, mas precisamos olhar bem de perto para enxergarmos o indivíduo e sua singularidade, assim como um floco de neve e sua complexa forma quando cristaliza. Sendo assim, Ka reuniu em sua coletânea de poemas um conjunto de singularidades complexas, captadas em uma cidade quase esquecida, mas que tiraram ele de uma espécie de sono profundo.</p>
<p>Nesses três dias em Kars, Pamuk nos mostra um livro com alto teor crítico e inúmeras referências aos problemas étnicos, raciais e políticos da Turquia. Sem dúvidas, <em>Neve</em> é um livro muito interessante sob muitos aspectos, com um pano de fundo muito atual e relevante, e mesmo sendo o texto um pouco repetitivo o livro não perde a sua beleza ou importância.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Leonardo Segura</strong></p>
<p><em> </em></p>
<br />Publicado em Orhan Pamuk  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/litterata.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/litterata.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=litterata.wordpress.com&amp;blog=8903728&amp;post=29&amp;subd=litterata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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